domingo, março 05, 2017

Artigo CAuto#58: Renault exalta que Captur vem da Europa, mas acaba parando na Europa dos anos 90


Ainda sem um espaço definido para o Captur em seu site, a Renault conta apenas com um hotsite do seu mais novo lançamento. Esse, por sua vez, exalta que o Captur é um modelo "Da Europa para você", com "Design europeu, sensual e elegante". É verdade, o Renault Captur agrada aos olhos: é bonito e atraente. Mas é só. Infelizmente a Renault economizou feio no Captur. Lançado para se distanciar do Duster, o SUV Compacto europeu chegou ao Brasil para mostrar que a Renault não vende apenas Dacia (alusão a Sandero, Logan, Duster e a adaptação brasileira Oroch). Porém, usa a mesma base e mecânica de um. O Captur conta com a mesma plataforma B0, a mesma usada pelo Duster e demais modelos romenos. Não bastando isso, a Renault não trouxe nenhum motor novo; usou o mesmo 2.0 16v Flex usado pela Scénic desde 1998. Parece que o modelo que "veio da Europa para você" entrou em uma máquina do tempo que o trouxe para os anos 90, de alguma forma. Ainda não satisfeita, a Renault acoplou o velho 2.0 a um (o também veterano) câmbio automático de apenas 4 velocidades, enquanto a maioria dos concorrentes apostam em peso no CVT ou no automático de 6 velocidades. A Renault errou ao oferecer um conjunto datado para a versão Intense. Mas se deu melhor na Zen, da qual, pelo menos, aposta no moderno 1.6 16v SCe Flex apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo. Além disso, poderia ter desenvolvido uma variante Turbo, para usar não só no Captur, mas também em Duster, Oroch e Sandero R.S., teria uma saída mais em conta, mas que seria muito mais bem visto pelo mercado. Não basta vir apenas a "casca" da Europa. O mercado (e o consumidor) precisa de automóveis mais eficientes e mais equipados. Equipados? É, o Captur também não agrada tanto quando o assunto é lista de itens de série. De série e equipado com quatro airbags (dianteiros e laterais), controle eletrônico de estabilidade (ESP), controle eletrônico de tração (ASR), assistente de partida em rampas (HSA),  freios com ABS, ISOFIX,  direção eletro-hidráulica, volante com regulagem da altura, ar-condicionado, rodas aro 17 polegadas de liga leve, vidros elétricos, alarme perimétrico, chave-cartão hands free, comando de áudio e celular na coluna de direção (comando satélite), assento do condutor com regulagem de altura, sistema CAR (travamento automático das portas a 6 km/h), Luzes diurnas em LED, retrovisores rebatíveis, piloto automático com indicador e limitador de velocidade. Tudo bem, não é tão ruim assim. Mas poderia ser mais, principalmente na versão topo de linha e depois de lançamentos como Nissan Kicks e Jeep Renegade. O que esses dois tem em comum? Um ótimo acabamento interno! E chegamos a mais um ponto crucial, digamos. O Captur conta com materiais rígidos em quase todo o acabamento interno. Se comparar ele com o acabamento interno do Jeep, quase todo em soft-touch, ou o do Nissan, com couro, o Captur parece um hatch popular. É uma pena. O Renault Captur tinha tudo para ser um sucesso de crítica, já que era considerado um dos maiores lançamentos deste ano. Sorte da Renault, que ela ainda deve lançar Kwid e Koleos este ano, outros dois modelos inéditos. Se a Renault quer, de fato, trazer um pouco mais da Europa para o Brasil, será preciso um pouco mais de empenho para se tornar realidade. Essayez à nouveau, Renault! (Tente de novo, Renault!).


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